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Conversa sobre o livro na TV São Judas







Date: Thu, 28 Apr 2011 13:46:17 -0700
From: tvsaojudas
Subject: Exibição Arteletra Literatura
To: robertafferraz

Oi Roberta,

O programa Arteletra Literatura que você gravou com a Érica, irá ao ar neste domingo (01/05) às 21h00 pelo Canal Universitário (CNU),11 da NET analógica e digital, 71 da TVA analógica, 187 TVA Digital.

Segue abaixo release e horários alternativos:

Arteletra - Literatura – domingo – 21h00
Horários Alternativos : 
2ª feira – 14h30
3ª feira – 04h00
4ª feira – 00h30
6ª feira – 06h30
sábado – 12h30

domingo – dia 01/05 – 21h00
Fio, fenda, falésia

O Arteletra Literatura recebe as poetisas Érica Zíngano e Roberta Ferraz, autoras do livro - Fio, fenda, falésia. Elas falam sobre criação em conjunto, fio de pensamento, e a forma em três tempos em que o livro foi escrito: um texto paradigma de Fernando Pessoa, uma prática surrealista dos cadavres exquis e viagens em conjunto para Ilha Bela e Fortaleza. As poetisas recitam e explicam, ainda, como foi pensado o layout do livro, chamado de cadernos giráveis. Apresentação de Maria José Petri.

Grato,

Renato Ricarte
Produtor Arteletra Literatura
TV São Judas
email: tvsaojudas@yahoo.com.br
site: http://www.usjt.br/midia/tv/
tel: (11) 2799.1968
(11) 2799.1999 ramal:1304 das 14h00 às 18h00.


aqui tb: http://www.usjt.br/midia/tv/arquivo_arteletraliteratura.html

Leitura, no lançamento em Fortaleza, CCBNB 2011

em São Paulo: Lançamento


Saiu uma notícia aqui

eu te deixo um traço, um rastro...

"A espuma só parece ser fresca a quem a julga uma... Tudo é muito e nós não sabemos nada... 
Quereis que vos conte o que eu sonhava à beira-mar?"

Fernando Pessoa, O marinheiro


O livro fio, fenda, falésia nasceu de seis mãos, encontros dos corpos de Érica Zíngano, Renata Huber e Roberta Ferraz, escrevendo pelo desejo de mistura, para não delimitar ou demarcar onde acaba um corpo (de escrita) e começa um outro corpo (se escrevendo). Essas fronteiras tornam-se borros, e pensar o borro como borrão traz a imagem de um poema ainda inacabado, mas sempre em estado de escrita, no cerne do processo, no fluxo da experiência. A experiência como prática de partilha aflora no imaginário pelo teatro, porque o teatro é o lugar onde se dá a ação, o acionar e o reacionar, e  por isso a cena de escrita do livro monta-se a partir de um texto-paradigma de Fernando Pessoa, O Marinheiro (1914). Além disso, também há uma prática surrealista rememorada pela escrita dos cadavres exquis, que agregam as várias mãos num só poema criado coletivamente, abrindo o poema para o nós. Outro eixo que movimentou a feitura do livro foram os deslocamentos: viagens em conjunto empreendidas para Ilha Bela e Fortaleza, onde a vivência configurou-se como um fazer-estar entre lugares, reafirmando a não-fixação  do poema, enquanto o livro elaborava-se no curso do tempo. Agora, o livro impresso, junção de três cadernos giráveis, uma paisagem que se desdobra para o olhar do outro, afirma a alteridade como uma possibilidade de abertura do eu e da inscrição do nós, onde assinar os poemas torna-se um capricho absolutamente desnecessário - senão como indício, uma deixa que convida o leitor para atravessar as páginas procurando as marcas já desfeitas de uma noção de identidade.



                            ritos fúnebres
                                                    érica zíngano
 

charneca
           pode ser o nome do lugar
carniça
           pode ser a imagem tomada de empréstimo
chapinhar
           pode ser o verbo usado para escrever
chama
           pode ser o método de aproximação
chão
           pode ser o caminho de areia movediça
culpa
           pode ser o resquício escondido nas palavras
chuva
           pode ser o intervalo entre um verso e outro
chave
           pode ser o motivo para guardar um segredo
caranguejo
           pode ser quem dá com a língua nos dentes
corda
           pode ser o parâmetro para esticar a escrita
cavalo
           pode ser coruja, pássaro, prenúncio da noite
como
           pode ser a tentação da metáfora
           mas, de qualquer modo,


                                                                                                                                                                                                                                                                               não há salvação                           




o que sonhamos
renata huber

O que sonhamos está escrito e repousa na memória. O livro, o mundo, cada sílaba e cada imagem pode agora despertar. No coração de uma noite, na intimidade movediça dos amantes já dispersos, a música será leve. Uma concha ressoando, uma árvore, um fio. Um fio e saberemos as armadilhas da ternura, a tessitura singular e nossas vozes ao encontro. Em cada boca a paisagem que tecemos e habitamos, as fendas desferidas assediando os oráculos




3 carpas
roberta ferraz

bordejar fio à pérola
na exata fronte lupanar

ladrilho d'ouro, saia fulgurante
negro é o encaixe

descemos as contas até o enigma

a garganta em feixe amarelo
escorre entre os seis seios

essa metrópole tonta
e viscosa
e endereçada às mortes

esse disco esse um a um
olhos do gato saliente
um a um no fio da vértebra

sozinhas

para a noite
 

apresentação no SIMPOESIA 2010, Casa das Rosas - São Paulo

parte I



parte II



Simpoesia 2010